Pontos Negativos

PONTOS NEGATIVOS
‘Bugs’ de instalação
Para um jogo tão vasto quanto este, é incrível como acontecem poucos ‘bugs’, aqueles infames erros de programação. Durante todo meu tempo em “GTA V”, vi poucos problemas de colisão ou ‘pop-in’ (quando o cenário se forma diante dos olhos do jogador). Nenhum deles me impediu de terminar alguma missão.

Problemas desse tipo são mais frequentes quando o jogo está instalado no disco rígido, seja no Xbox 360 ou no PS3, no caso da versão digital vendida na PS Store. A melhor maneira de jogar “GTA V”, por enquanto, é fazendo apenas a instalação obrigatória de 8 GB e rodando o game no disco.
Garagem defeituosa
Um ‘bug’ recorrente do jogo envolve o funcionamento das garagens: cada personagem possui algumas delas espalhadas pela cidade e elas servem para guardar os carros que você adquiriu, seja roubando ou comprando com seus suados dólares virtuais. Como você pode modificar os veículos, é natural que queira guardar os seus bólidos favoritos.

Porém, uma falha de programação faz com que alguns carros desapareçam das garagens do jogo. Seria um problema pequeno quando você apenas rouba carros aleatórios nas ruas, mas é uma coisa muito chata quando pagou $ 3 milhões por um tanque de guerra e descobre que ele não existe mais.

A Rockstar está ciente desse problema e informou que está trabalhando para resolve-lo. Porém, até que uma solução seja lançada, é bom tomar cuidado com os carros que você tem na garagem.

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GTA V

GTA V

PONTOS POSITIVOS
Roteiro cinematográfico
Quem não gosta de uma boa história de ladrões? Bandidos e gangstêrs são personagens imorais, tentam levar uma vida fácil enganando e roubando outras pessoas, mas o que torna essas tramas fascinantes é a esperteza, o risco, os dramas pessoais de seus protagonistas desprezíveis. É assim que a fórmula funciona em “Os Bons Companheiros”, “O Grande Golpe”, “O Poderoso Chefão”, “Breaking Bad”, “Caçadores de Emoções”, “Fogo contra Fogo”, “Golpe de Mestre” e “11 Homens e um Segredo”, entre outras tantas obras sobre a não tão glamurosa vida bandida.

Com “Grand Theft Auto V”, a Rockstar Games não só homenageia todas essas histórias, mas também escreve sua própria parte da mitologia criminosa: um conto de três bandidos, suas famílias, amigos e inimigos, perseguições policiais e claro, grandes e ousados assaltos.

Com três protagonistas vivendo suas tramas ao mesmo tempo, o jogo não sofre com uma história arrastada: sempre que a participação de alguém chegou ao ápice, você passa para um dos outros personagens. As histórias vão se mostrando cada vez mais interligadas e instigam o jogador a continuar para ver o que vai acontecer.

Mais do que um filme, “GTA V” é um jogo e coloca nas suas mãos a ordem com que você vai acompanhar seu enredo. É a sua percepção que vai ditar os momentos finais da eletrizante saga de Michael, Franklin e Trevor.
Personagens complexos
Em mais de uma ocasião, você vai se pegar pensando qual é o menos desprezível dos protagonistas de “GTA V”. Franklin é o que mais se assemelha aos protagonistas dos “GTA” anteriores: um rapaz pobre de South Los Santos que quer subir na vida do único jeito que conhece, roubando e aplicando golpes. Ele está sempre em estado de negação sobre o que faz, tentando justificar suas escolhas com a boa vida que alcançou, mesmo que tenha deixado sua família e amigos para trás.

Michael é um bandido em crise de meia-idade, saindo da aposentadoria para se livrar das frustrações domiciliares. Com uma família totalmente disfuncional e a culpa pelos crimes do passado o assombrando, você fica com a impressão de que ele é a maior vítima de “GTA V”. Seus defeitos demoram um pouco para se fazer notar mas uma vez percebidos, estão sempre lá, incomodando o jogador.

Por sua vez, Trevor é um psicótico assumido, um matador inconsequente dado a ataques de fúria quando questionado sobre seu sotaque canadense ou sobre a profissão de sua mãe. Na cena em que você assume o controle do personagem, tudo é feito para que você tenha asco de Trevor. Aos poucos sua vida atribulada e infância difícil são reveladas em conversas e situações bizarras. Nada que justifique suas ações, ao menos aos olhos de uma pessoa ‘normal’.

É incrível como ao dar o controle desse trio para você, a Rockstar fomente uma empatia com cada um deles. É difícil, depois de dezenas de horas de jogo, julgar com frieza os atos e comportamentos de cada um deles. Mesmo que você saiba que estão todos errados, eles são complexos o bastante para despertar carinho, interesse e uma forma bizarra de amizade.

Isso funciona de maneira perfeita em várias missões da metade do jogo em diante: você teme pela vida dos personagens, se importa com o que eles falam um para o outro e com o que acontece em suas vidas particulares. É um nível de imersão muito superior ao que a Rockstar conseguiu antes em seus jogos – o mais próximo foi com John Marston, o caubói de “Red Dead Redemption”.
Missões espetaculares
Um dos grandes acertos de “GTA V” é o ritmo de suas missões: os ‘heists’ – ou golpes, em português – pontuam toda a campanha e são responsáveis por manter o jogador colado na beira do sofá em seus melhores momentos. Com o inteligente sistema de checkpoints vindo de “Ballad of Gay Tony”, você não precisa se preocupar em voltar todo o percurso da missão ao cometer um erro e isso permitiu que a Rockstar introduzisse todo tipo de atividade arriscada em suas tarefas.

Durante as mais de 30 horas da campanha, você vai pegar uma moto e perseguir e saltar em um trem em movimento, roubar armamento pesado de uma companhia militar privada, encarar traficantes em uma boca de fumo, fazer rapel pendurado em um helicóptero, dirigir um caminhão-cegonha cheio de esportivos exóticos em uma fuga em alta velocidade, só para citar alguns exemplos. Os preparativos para os golpes envolvem tarefas menores, como descolar e esconder um carro de fuga, mapear o local do roubo ou comprar máscaras para esconder a identidade do grupo.

São tarefas que envolvem o jogador no plano e passam a sensação de fazer parte de um grande golpe criminoso – e na hora de execução, é legal ver como as escolhas que você fez na preparação influenciam a tarefa.Talvez o mais divertido nas missões seja a forma como “GTA V” deixa o controle totalmente na mão do jogador em seus momentos mais cruciais: quando o grupo precisa fugir de uma gangue e da polícia ao mesmo tempo, os outros personagens se voltam para o jogador e pedem que ele escolha o caminho, por exemplo. Diferente de um “Call of Duty” ou de outros tantos jogos atuais, você não precisa seguir os passos de outra pessoa. Aqui, é você que mostra o caminho para o grupo.
Controles precisos
Encarar as missões de “GTA V” seria terrível sem controles precisos. Porém, a Rockstar caprichou desta vez. O jogo entrega o melhor sistema de direção já visto na série, bem similar ao de “Midnight Club”, sua franquia de corrida. Também acerta a mão nos tiroteios e na pancadaria – dois pontos que sempre foram problemáticos em “Grand Theft Auto”.

Outro sistema que está bem mais refinado em comparação ao que foi feito antes pela Rockstar é a pilotagem: tanto aviões quanto helicópteros estão melhores de guiar, tanto no ar quanto na hora de aterrisar. Depois de algumas tentativas – ou de umas aulinhas no aeroporto – você domina a arte da pilotagem de “Grand Theft Auto V”.

O game mantém o sistema de cobertura adotado em “GTA IV”, mas diversifica o arsenal disponível para o jogador. Entre pistolas, submetralhadoras e fuzis, surgem opções como lança-foguetes, armas de choque, explosivo plástico e galões de gasolina, só para citar algumas.Cada personagem pode ter suas habilidades aprimoradas com a prática: você fica mais resistente correndo e nadando, melhora seu fôlego ao mergulhar e adquire mais precisão no volante disputando corridas ou simplesmente guiando por aí sem bater.

Para melhorar a pontaria, a forma mais rápida é praticar nas galerias da AmmuNation, mas mandar bala nos inimigos também ajuda.Por fim, as habilidades especiais de cada personagem dão um nível extra de controle e estratégia ao jogo: Michael pode atirar em câmera lenta, como o colega Max faz em “Max Payne 3”; Trevor entra em um estado de fúria onde dá mais dano e fica quase invulnerável por alguns segundos; Franklin, por sua vez, pilota em câmera lenta, um truque excelente na hora de escapar de perseguições em alta velocidade ou fazer curvas muito fechadas.
Mundo vivo
Los Santos e o Blaine County são um pedacinho do estado de San Andreas em “GTA V”. Além da metrópole, existe um deserto, zonas rurais, cidadezinhas do interior com prédios caindo aos pedaços, fábricas de drogas, pistas de pouso clandestinas, montanhas e até mesmo regiões submarinas para explorar.

Motoqueiros rondam o interior, gangues de rua dominam os becos de South Los Santos e as pessoas tocam suas vidas cotidianas, vão as compras, postam comentários ácidos em redes sociais e assistem programas de TV. Em Vinewood, estrelas do cinema são perseguidas por paparazzi e turistas tiram fotos com atores fantasiados na calçada da fama. Tudo isso acontece à revelia do jogador e é divertido observar a quantidade de detalhes que a Rockstar colocou em cada pedaço dessa nova San Andreas.

É um mapa enorme e cheio de coisas para ver e fazer, habitado por muitos personagens curiosos que tocam suas vidas e se metem em suas próprias confusões – às vezes, com a participação dos protagonistas do jogo. Você pode comprar roupas em diversas lojas, adquirir propriedades, navegar na internet, perder tempo nas redes sociais fictícias do game, ‘tunar’ seus carros e ir ao barbeiro. Pode visitar um clube de strip-tease ou ir ao cinema, assistir filmes com até meia hora de duração. Ou, para levantar uma grana extra, assaltar lojas de conveniência.
Seja em encontros aleatórios ao estilo de “Red Dead Redemption” ou com missões secundárias, você vai conhecer várias figuras pitorescas da região e além de se divertir, imergir ainda mais no mundinho do jogo.
Para um público maduro
“GTA V” oferece uma porta para dentro de um mundo fascinante, mas que exige uma certa maturidade para ser apreciado em toda sua extensão. Por trás das situações exageradas que o jogo apresenta, existe um senso de humor ácido típico da Rockstar. Los Santos é como uma caricatura da sociedade norte-americana comtemporânea, com a crise imobiliária e uma obsessão por reality shows, jogos de tiro em primeira pessoa e redes sociais.

Boa parte das notícias, programas de TV e diálogos apresentam uma versão sem máscaras da socidade atual, seja a máscara da propaganda comercial ou a do politicamente correto.
O jogo aborda temas espinhosos, principalmente para os norte-americanos, como o emprego de tortura pelo governo e a perseguição aos imigrantes – Trevor é constantemente vítima de ofensas racistas por causa do seu sotaque canadense.

Na maior parte do tempo, “GTA V” faz suas críticas sociais com desenvoltura e usando piadas e situações infames para demonstrar o ponto de vista de seus produtores. Em uma única situação, porém, a mensagem é bem direta e é dada da maneira mais tensa possível, ao colocar o jogador para executar uma sequência de ação das mais agressivas e desconfortáveis já vistas em um jogo.

Para completar o quadro, espere por cenas de sexo quase explícitas, nudez masculina, consumo de drogas, uso constante de palavrões e muita violência. Como bem aponta o selo da classificação indicativa na capa do jogo, “GTA V” não é um game para crianças.
Replay elevado
Depois que você terminar a campanha principal, ainda há muito o que fazer em “GTA V”. Seja praticando seus passatempos favoritos como triatlo, corridas de carro, quadriciclo ou jetski, seja disputando circuitos de golfe, você pode passar um bom tempo melhorando sua pontuação e conseguindo medalhas melhores – e exibindo esse resultado para os amigos no SocialClub, a rede social da Rockstar.

Missões extras envolvem coisas como contrabando de armas – por terra ou de avião – e caçar fugitivos da lei em troca de recompensas. Elas são bem diversificadas e no segundo caso, difíceis: a única pista é uma foto do alvo e uma vista aérea da região onde foi visto pela última vez.

Também pode refazer qualquer missão pela qual já tenha passado, em busca de um resultado melhor, cumprindo os objetivos bônus delas ou tentando abordagens diferentes – principalmente nos golpes que oferecem maneiras alternativas de serem realizados.
O jogo também oferece vários colecionáveis escondidos pelo mapa, sendo que alguns deles exigem que você comece determinadas missões secundárias. São peças de uma misteriosa nave espacial, pedaços de cartas que desvendam um assassinato sinistro em Vinewood, partes de um submarino perdidas no fundo do mar, uma dúzia de maletas perdidas com muito dinheiro e por fim, os folhetos Epsilon, que explicam o que exatamente é o culto no alto da montanha no meio de Blaine County.
Localização excepcional
No Brasil, “Grand Theft Auto V” conta com legendas, menus e alguns outros detalhes em português. Nada de dublagem em nosso idioma, o que não é ruim, pois você não perde o ótima interpretação dos atores originais. A ausência de dublagem não desmerece o trabalho de localização feito pela Rockstar. E é localização mesmo, não só tradução.

As conversas entre Franklin e seu amigo Lamar são um ótimo exemplo: no original em inglês, são quase ininteligíveis, recheadas de gírias da malandragem da Costa Oeste norte-americana. Nas legendas, o espírito se mantém com o uso de expressões como ‘vida loka’ e até gírias engraçadas, como o cumprimento “de boa na lagoa”. Os personagens de South Los Santos, em geral, falam como os ‘manos’ das periferias brasileiras. Já os caipiras do interior tem seus próprios coloquialismos e assim por diante.

Nos quadros onde são planejados os assaltos, tudo está escrito em português, facilitando ainda mais o entendimento dos jogadores que não dominam o idioma inglês. E por fim, os tradicionais “Wasted” e “Busted” que indicam quando o jogador ‘morreu’ ou foi preso foram substituidos por expressões mais brasileiras: “Se fodeu” e “Perdeu, Playboy”, respectivamente.

Algumas conversas não tem legendas, infelizmente, como ao entrar na barbearia ou ao pegar um táxi. Mas de forma geral, o trabalho de localização é excepcional, um dos melhores já realizados para o nosso mercado.

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Grand Theft Auto V

CONSIDERAÇÕES

 

Em “Grand Theft Auto V”, com no mínimo 50 horas de diversão, a Rockstar Games mostrou que é a melhor no gênero que popularizou: os games de ação e contravenção em mundos abertos populosos contemporâneos. Mais ainda, eleva o gênero a um novo patamar, com uma narrativa intrincada e envolvente, personagens complexos e sequências memoráveis.

Apoiado na expertise adquirida em jogos como “Red Dead Redemption”, “Max Payne 3” e no já distante “GTA IV” e suas expansões, “Grand Theft Auto V” oferece uma experiência imperdível para os fãs dos games. O game oferece um mundo vasto e cheio de vida para explorar e se divertir. É um cenário super detalhado, com pequenas descobertas acontecendo o tempo todo, mesmo depois de terminar a longa campanha principal.

“Grand Theft Auto V” chega no provável último grande ano dos consoles PlayStation 3 e Xbox 360, oferecendo uma das experiências de jogo mais empolgantes desta geração.

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